A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a oferta de um terreno — cuja avaliação é contestada por autoridades — como garantia para tentar reaver bens e valores bloqueados: um avião modelo Beechcraft B200 avaliado em aproximadamente R$ 10 milhões, um veículo BMW e cerca de R$ 10 milhões em contas e aplicações.
O bloqueio da aeronave foi determinado pelo ministro André Mendonça como parte das medidas cautelares vinculadas à investigação conhecida como Caso Master/Operação Compliance Zero; o avião, registrado como Beechcraft Super King Air B200, teve seu registro e utilização tornados indisponíveis por ordem judicial em maio de 2026.
Além da apreensão do jatinho, a investigação resultou no bloqueio de valores financeiros atribuídos ao parlamentar e a empresas relacionadas — soma que, em decisões recentes, chegou a ser apontada em cerca de R$ 10,2 milhões em contas e aplicações, segundo autos da operação.
Como parte da estratégia para obter a liberação dos bens, a defesa ofereceu um imóvel rural localizado em Teresina (PI). O terreno em questão faz parte de uma gleba de cerca de 40 hectares que, segundo documentos apresentados à Polícia Federal, teria sido objeto de negociação com a Athena Real Estate em agosto de 2024 por R$ 14,2 milhões — operação que está entre os pontos analisados pela PF nas apurações.
Relatórios da investigação e movimentações societárias relacionadas a fundos do grupo Refit e ao Banco Master são centrais nas suspeitas que motivaram as cautelares. A Polícia Federal e outros órgãos apontaram transferências e operações societárias que, conforme o relatório, teriam sido usadas para movimentar recursos entre fundos, empresas imobiliárias e financeiras. Parte das peças da investigação indica ainda integrações de capital e pagamentos de valores significativos entre empresas envolvidas.
Fontes vinculadas ao caso registraram que a quantificação do terreno apresentada pela defesa foi considerada insuficiente pelas autoridades para cobrir os danos apontados na investigação — em algumas matérias o valor oferecido pela defesa chegou a ser citado em torno de R$ 19 milhões, enquanto os peritos e a PF questionaram a efetiva equivalência entre o bem e as parcelas e recursos bloqueados.
O senador, por sua vez, afirmou em entrevistas que a operação de venda do terreno foi regular e devidamente registrada, alegando que a negociação destinava-se à construção de uma distribuidora de combustíveis e que os valores decorrem de transação legítima.
O caso segue sob análise do relator no STF e a decisão sobre aceitar o terreno como caução — e, consequentemente, sobre eventual desbloqueio dos bens e valores — dependerá da avaliação das medidas propostas em face dos elementos apresentados nos autos. Enquanto isso, as medidas cautelares determinadas em maio de 2026 permanecem em vigor.
- Agosto de 2024: contrato de compra e venda de área de ~40 hectares em Teresina por R$ 14,2 milhões.
- 7 de maio de 2026: deflagração da 5ª fase da Operação Compliance Zero (desdobramento das investigações).
- 20–21 de maio de 2026: determinação judicial que resultou no bloqueio do registro da aeronave e em indisponibilidade de ativos atribuídos ao senador.
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